O ministro do Urbanismo e Habitação admitiu, publica e implicitamente, na capital do Planalto Central (Huambo), que mais de seis milhões de angolanos vivem em condições de habitabilidade pouco dignas. José Ferreira, que falava recentemente por ocasião do Dia Mundial do Habitat, admitiu tal realidade (nua e crua, diga-se de passagem), tendo como base os critérios definidos pelas Nações Unidas.O titular do Urbanismo e Habitação demonstrou, ao ter admitido que os angolanos vivem em condições de habitabilidade indignas, uma coragem inaudita, aliás jamais evidenciada por nenhum dos seus predecessores e por dirigentes do Movimento Português para Libertação de Angola (MPLA). É evidente que os angolanos que neste País (que tem tanta gente sem casa e, ao mesmo tempo, tanta casa sem gente) nunca tiveram um tecto agradecem a coerência e frontalidade políticas do ministro do Urbanismo e Habitação.
Espero, pois, que tal admissão não lhe custe o cargo (isto é, se ainda não foi chamado a explicar-se no Comité de Especialidade a que pertence). José Ferreira foi mais longe, na sua alocução, ao revelar que Angola é um país com uma taxa de crescimento urbano, mas com altos níveis de precariedade nos assentamentos humanos, com problemas de acesso aos serviços de base e às infra-estruturas sociais.
Isso é por demais consabido, senhor ministro. Qual é a solução que o Governo tem em carteira para colmatar tal situação a curto prazo? José Ferreira adiantou, por outro lado, que o Governo está determinado em alterar as condições de vida de cada angolano no que diz respeito à habitação condigna, o acesso as infra-estruturas, bem como a outros equipamentos públicos. Mas desde quando é que o Governo esteve verdadeiramente determinado em alterar as condições de vida de cada angolano no que diz respeito à habitação condigna, o acesso às infra-estruturas (…)?
Acaso saberá José Ferreira desde quando é que o Governo promete alterar as condições de vida de cada angolano no que diz respeito à habitação (…)? Eu dou uma ajudinha: Desde o dia 11 de Novembro de 1975, senhor ministro.
"Vamos gradualmente de forma participada transformar as ocupações informais que hoje povoam as periferias das cidades, chamados musseques, e prover as novas áreas de conforto necessário para que se transformem em pedaços de cidade com alma, onde o meio ambiente contribua no incremento da qualidade de vida", frisou o governante.
Hum, isso será feito por amor a quem? Aos angolanos é que não com certeza! Não creio que um Governo que combate os pobres, e não a pobreza, esteja disposto a melhorar a situação da maioria dos angolanos.





